China e Rússia concentram quase 74% do ouro dos BRICS+
As nações do bloco BRICS+ possuiriam mais de 6000 toneladas de ouro, ou 17,4% das reservas oficiais mundiais, segundo uma avaliação do EBC Financial Group. A China e a Rússia poderiam concentrar cerca de três quartos desse estoque. Em uma análise separada, o UBS projeta que a onça atingiria 5200 dólares até junho de 2027. Esses números explicam o crescente interesse pelo metal amarelo, entretanto não permitem estabelecer uma relação direta entre as aquisições dos BRICS+ e a projeção da instituição financeira suíça.

Em resumo
- Os BRICS+ detêm mais de 6.000 toneladas de ouro, ou 17,4% das reservas oficiais mundiais.
- A Rússia e a China concentram quase 74% das reservas de ouro do bloco.
- Os bancos centrais reforçam suas compras de ouro em uma lógica de diversificação das reservas.
- O UBS mira 5.200 dólares a onça até junho de 2027, sustentado por vários fatores monetários e econômicos.
- As compras dos BRICS+ participam da demanda por ouro, sem explicar sozinhas a previsão do UBS.
A Rússia e a China dominam as reservas dos BRICS+
Enquanto o ouro acaba de atingir uma máxima de seis semanas, a avaliação de 17,4% vem de uma análise realizada pelo EBC Financial Group publicada em abril passado. Ela está relacionada às reservas de ouro detidas pelos bancos centrais dos países do bloco BRICS+, e não ao total de ouro disponível mundialmente.
Os dois primeiros lugares são ocupados pela Rússia e pela China dentro da aliança. As duas nações poderiam representar juntas perto de 74% dessas reservas, segundo as informações comunicadas pelo analista do EBC Michael Harris.
Os dados compilados são os seguintes :
- A Rússia possuiria 2336 toneladas de ouro ;
- A China deteria 2298 toneladas ;
- As reservas da Índia alcançariam 880 toneladas ;
- O conjunto do BRICS+ ultrapassaria 6000 toneladas, ou 17,4% do estoque oficial mundial.
Em 2019, esse estoque era de 11,2%, segundo o relatório do EBC. Portanto, a diferença é de cerca de 6,2 pontos percentuais em sete anos.
Essa comparação exige, contudo, uma ressalva metodológica. O bloco dos BRICS se ampliou desde 2019 e agora aceita mais países. A síntese disponível não indica se o EBC recalculou o número histórico com uma composição constante. Parte da aparente evolução provém, portanto, da integração de novos países, além das aquisições efetivamente realizadas.
As estatísticas oficiais também contêm um atraso. O World Gold Council reúne essencialmente as declarações dos bancos centrais e os dados do Fundo Monetário Internacional. Seus arquivos mensais apresentam quase dois meses de atraso, aos quais se somam os prazos de alguns países.
O ouro avança nas reservas sem eliminar o dólar
O aumento dos estoques do bloco BRICS+ insere-se em um movimento geral. Os bancos centrais adquiriram em média 1000 toneladas de ouro por ano nos últimos quatro anos, contra cerca de 500 toneladas na década anterior, segundo o World Gold Council.
O ouro oferece muitas vantagens aos gestores das reservas. Ele não depende da solvência de um país emissor. Além disso, pode ser guardado diretamente nos cofres de um banco central. Também permite a diversificação de uma carteira exposta a moedas e títulos soberanos.
Essa manobra não significa necessariamente que os bancos centrais abandonem automaticamente o dólar. Um aumento das reservas de ouro não prova nem uma diminuição correspondente dos ativos americanos, nem a criação futura de uma moeda comum aos BRICS.
As previsões revelam, contudo, um desejo de diversificação. Em uma pesquisa publicada em junho de 2026, o World Gold Council detalha que 74% dos entrevistados projetam uma redução razoável ou importante da participação do dólar nas reservas mundiais nos próximos cinco anos. Além disso, 89% acreditam que os ativos oficiais em ouro irão aumentar nos próximos doze meses.
UBS prevê uma onça a 5.200 dólares até junho de 2027
O banco suíço UBS acredita que o ouro se aproximaria de 5200 dólares a onça durante os doze meses seguintes ao seu relatório de 25 de junho, o que situa esse objetivo ao redor de junho de 2027. Essa previsão representa um cenário de mercado, e não um preço garantido.
A instituição bancária invoca três apoios principais: uma provável flexibilização monetária dos Estados Unidos em 2027, uma futura enfraquecimento do dólar e a permanência das aquisições dos bancos centrais. O UBS projeta que esses últimos comprarão entre 750 e 1000 toneladas de ouro por ano.
O Banco admite, entretanto, riscos a curto prazo. Uma evolução das taxas reais ou uma consolidação do dólar aumentaria o custo de oportunidade relativo à posse de ouro. Em sua análise oficial, o UBS poderia prever assim uma progressão entre 3850 e 4000 dólares antes de uma retomada.
O objetivo dos 5200 dólares apoia-se, portanto, em uma associação de fatores monetários, econômicos e geopolíticos. As aquisições da aliança BRICS+ podem sustentar a demanda, no entanto elas representam apenas uma pequena parte desse cenário.
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Diplômé de Sciences Po Toulouse et titulaire d'une certification consultant blockchain délivrée par Alyra, j'ai rejoint l'aventure Cointribune en 2019. Convaincu du potentiel de la blockchain pour transformer de nombreux secteurs de l'économie, j'ai pris l'engagement de sensibiliser et d'informer le grand public sur cet écosystème en constante évolution. Mon objectif est de permettre à chacun de mieux comprendre la blockchain et de saisir les opportunités qu'elle offre. Je m'efforce chaque jour de fournir une analyse objective de l'actualité, de décrypter les tendances du marché, de relayer les dernières innovations technologiques et de mettre en perspective les enjeux économiques et sociétaux de cette révolution en marche.
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