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Rússia: Vladimir Putin assina a lei que legaliza as transações em criptomoedas

19h15 ▪ 7 min de leitura ▪ por Ghiles A.
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A Rússia dá um novo passo na regulamentação dos ativos digitais com a aprovação de uma lei muito aguardada sobre transações em cripto. Após vários meses de debates parlamentares, o presidente Vladimir Putin assinou o texto que define as regras aplicáveis a investidores, plataformas e instituições financeiras. Essa reforma estabelece um marco regulatório inédito no país e prevê uma implementação gradual a partir de 1.º de setembro de 2026.

Ilustração da Rússia assinando uma nova lei sobre criptomoedas, com Vladimir Putin, Bitcoin, Ethereum e símbolos do novo marco regulatório.

Em resumo

  • A Rússia legaliza as transações em criptomoedas graças a um novo marco regulatório que entrará em vigor em 1º de setembro de 2026.
  • As compras e trocas de criptomoedas serão autorizadas, mas os pagamentos em ativos digitais continuarão proibidos.
  • As plataformas, bancos e depositários deverão obter uma aprovação do Banco Central da Rússia para exercer suas atividades.
  • Os investidores particulares serão submetidos a um teste de conhecimento e a um limite anual de 300.000 rublos para suas compras.
  • A partir de 1º de julho de 2027, todas as transações em criptomoedas deverão passar por intermediários autorizados.

A Rússia implementa seu primeiro marco regulatório completo

O presidente Vladimir Putin assinou a lei intitulada “Sobre dinheiro digital e direitos digitais”, marcando uma etapa importante na organização do mercado de criptomoedas. Este texto, com quase 300 páginas, constitui a primeira regulamentação completa dedicada aos ativos digitais no país. Já havia recebido aprovação das duas casas do Parlamento antes de sua promulgação oficial.

O projeto de lei foi apresentado em abril, antes de ser examinado pelos parlamentares. A Duma Estatal o aprovou em 21 de julho, e depois o Conselho da Federação o validou em 24 de julho. Inicialmente esperado mais cedo no verão, sua entrada em vigor foi finalmente fixada para 1º de setembro de 2026 para permitir vários ajustes técnicos em algumas disposições.

A Rússia agora autoriza várias operações relacionadas a ativos digitais, incluindo investimento e negociações. Porém, o texto ainda proíbe o uso direto de criptomoedas como meio de pagamento. O rublo mantém seu status como a única moeda legal para pagamentos em território nacional.

Essa reforma também estabelece obrigações precisas para os agentes do mercado. Plataformas especializadas, instituições financeiras tradicionais e vários intermediários deverão seguir um quadro definido para oferecer serviços em torno da cripto em um ambiente regulamentado.

As plataformas de cripto terão de respeitar exigências rígidas

O novo dispositivo determina que todas as operações com criptomoedas deverão ser feitas apenas por plataformas autorizadas pelo Banco Central da Rússia. Essa obrigação visa centralizar as atividades de negociação sob supervisão direta da autoridade monetária. As empresas que desejarem atuar deverão obter as autorizações necessárias antes de oferecer seus serviços.

As bolsas de troca, os escritórios de conversão entre moedas fiduciárias e ativos digitais, as câmaras de compensação, assim como várias categorias de intermediários, poderão participar do mercado. Os bancos também farão parte das instituições autorizadas a atuar neste novo ambiente regulatório, desde que atendam aos critérios previstos pela lei.

O texto cria ainda uma nova categoria de agentes, chamados de depositários digitais. Essas entidades garantirão a conservação dos ativos digitais e a contabilização das operações realizadas por seus clientes. Os depositários deverão ser registrados no Banco Central e possuir um capital entre 50 e 250 milhões de rublos, de acordo com suas atividades.

Paralelamente, essas plataformas terão a obrigação de conservar todo o histórico das transações e monitorar os transferências feitas por seus usuários. Elas deverão detectar movimentos considerados suspeitos no ecossistema cripto para atender às exigências previstas no novo marco regulatório.

Os investidores particulares permanecem sujeitos a várias limitações

A mudança mais visível diz respeito aos particulares que desejam investir em criptomoedas. Pela primeira vez, residentes poderão adquirir e possuir legalmente Bitcoin e outros ativos digitais similares. No entanto, essa possibilidade vem com várias restrições destinadas a investidores não profissionais.

Antes de qualquer investimento, cada usuário deverá passar por um teste para avaliar seus conhecimentos sobre esses ativos e os riscos associados. Esse procedimento determinará seu nível de acesso ao mercado regulado. Pessoas consideradas não qualificadas poderão acessar apenas certas criptomoedas entre as mais importantes do mercado.

A lei também prevê um limite anual de investimento. Investidores não qualificados poderão comprar até 300.000 rublos em criptomoedas por ano, apenas por meio de um único corretor autorizado. Corretores financeiros e sociedades de gestão atuarão como intermediários entre os investidores e as plataformas, inclusive quando sediadas no exterior.

Uma pesquisa recente publicada pelo centro russo de pesquisa de opinião VCIOM (ВЦИОМ), e repercutida pela Cryptopolitan mostra, porém que quase 70% dos cidadãos não veem uso relevante para as criptomoedas, apesar da próxima legalização. Na Rússia, esses ativos manterão principalmente um papel de investimento, pois seu uso para pagamentos permanece proibido.

Os bancos ganham novos poderes de controle

O texto também concede prerrogativas importantes aos bancos. As instituições financeiras poderão bloquear qualquer transação relacionada a criptomoedas sempre que julgarem necessário. Um período obrigatório de reflexão de quarenta e oito horas será aplicado também a transferências entre carteiras digitais e conversões para contas em moeda fiduciária.

Somente os ativos que possuam maior capitalização, alta liquidez e um histórico de preços suficientemente longo poderão circular livremente nas plataformas regulamentadas. Segundo os critérios mencionados pelo vice-governador do Banco Central, Bitcoin, Ethereum e USDT atendem atualmente a essas condições.

A legislação complementa ainda a lei de 2021 dedicada aos ativos financeiros digitais. Porém, não menciona diretamente os stablecoins, embora vários deles possam entrar no escopo das novas regras conforme os critérios adotados pelas autoridades. As carteiras abertas junto a instituições autorizadas se tornarão o principal meio de receber, conservar e transferir ativos digitais no território.

Por fim, carteiras auto-hospedadas continuarão autorizadas para pessoas envolvidas em atividades econômicas internacionais. A partir de 1º de julho de 2027, as transações em cripto feitas por residentes e empresas da Rússia deverão, entretanto, passar exclusivamente por intermediários autorizados. O Banco da Rússia já começou a publicar projetos de diretrizes para detalhar as futuras regras sobre trocas, custódia e trading com margem de ativos digitais.

Essa reforma abre uma nova fase da regulação cripto na Rússia. Os próximos meses permitirão observar a publicação dos textos de aplicação e a implementação dos procedimentos necessários antes da entrada em vigor em setembro de 2026. As autoridades continuarão então a elaboração das regras complementares previstas para 2027, a fim de regulamentar todas as operações feitas no mercado de ativos digitais dentro desse novo marco jurídico.

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Ghiles A.

Journaliste et rédacteur web passionné par l’univers des cryptomonnaies et des technologies Web3. J’y traite les dernières tendances et actualités afin de proposer un contenu de haute qualité à un large public du secteur.

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