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S&P e Pantera lançam um índice cripto sem Bitcoin

10h15 ▪ 8 min de leitura ▪ por Ghiles A.
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O mercado de ativos digitais continua a ganhar maturidade com a chegada de novas ferramentas destinadas a investidores institucionais. Nesse contexto, S&P Dow Jones Indices e Pantera Capital revelam um índice de referência que privilegia projetos que geram uma atividade econômica real em vez da popularidade das criptomoedas. Esta nova abordagem pretende oferecer um quadro de análise mais próximo dos padrões dos mercados financeiros tradicionais. Destaca-se também por uma escolha marcante: a exclusão do bitcoin, cujo funcionamento não corresponde aos critérios adotados pelas duas empresas.

Ilustração da S&P e da Pantera lançando um índice cripto sem Bitcoin, destacando Ether, Solana e outros ativos digitais.

Em resumo

  • S&P e Pantera lançam um índice cripto baseado na receita e atividade econômica dos protocolos.
  • A carteira inicial inclui 18 ativos, entre eles Ether, Solana, BNB, Tron e Hyperliquid.
  • O bitcoin é excluído porque não atende aos critérios de protocolo gerador de receita.
  • O índice tem como alvo investidores institucionais e pode servir de referência para futuros produtos financeiros.
  • Esta metodologia rompe com os grandes índices cripto, amplamente dominados pelo bitcoin.

S&P e Pantera apostam nos fundamentos dos ativos digitais

S&P Dow Jones Indices se associou à Pantera Capital para lançar o S&P Pantera Digital Asset Index. Este índice de referência baseia-se em uma metodologia que privilegia ativos digitais que mostram adoção concreta e receitas provenientes de seu protocolo. Ao contrário de muitos produtos existentes, ele não classifica os ativos de acordo com a variação de preço, sua notoriedade ou a atenção que despertam no mercado. Essa abordagem busca, segundo as duas empresas, destacar mais os fundamentos econômicos do que os movimentos especulativos em torno do bitcoin ou dos altcoins.

De acordo com a introdução do índice, a seleção baseia-se em critérios claramente definidos. As plataformas de contratos inteligentes e os protocolos de finanças descentralizadas ocupam lugar importante, pois são avaliados segundo as receitas geradas nos dois últimos trimestres. Cada ativo também deve apresentar uma capitalização de mercado mínima de 500 milhões de dólares para integrar o índice. Finalmente, ele será reequilibrado trimestralmente e o peso de um mesmo ativo não poderá ultrapassar 35%, para limitar concentrações excessivas.

O índice foi lançado com uma carteira composta por 18 tokens. Entre eles estão especialmente Ether, Binance Coin, Solana, Tron e Hyperliquid. Em contrapartida, os memecoins e projetos cuja atividade econômica permanece limitada não são prioridade. Assim, esta metodologia aproxima este índice das práticas utilizadas nos mercados financeiros tradicionais.

Um índice pensado para investidores institucionais

Este índice tem como principal alvo investidores institucionais que desejam obter uma exposição diversificada às redes blockchain, infraestruturas digitais e aos diferentes protocolos. Também poderia servir de referência para a criação de futuros produtos de investimento. Os gestores de ativos poderiam usá-lo como índice de referência para constituir carteiras ou avaliar estratégias geridas ativamente.

No comunicado publicado pela S&P Global, os dois parceiros afirmam que “esta iniciativa reflete uma evolução mais ampla do mercado de ativos digitais“. As aplicações blockchain continuam seu desenvolvimento, enquanto os marcos regulatórios vão se tornando gradativamente mais precisos em várias jurisdições. Paralelamente, investidores institucionais agora têm acesso mais amplo ao setor, ainda que muitos produtos atuais ofereçam apenas uma exposição global sem distinguir projetos conforme sua atividade econômica real.

Dan Morehead, fundador e sócio-gerente da Pantera Capital, acredita que a alocação de ativos continua sendo um dos principais desafios para investidores internacionais. Segundo ele, a dificuldade não está na falta de oportunidades, mas na maneira de selecionar os projetos mais relevantes.

O principal ponto de atrito no campo das criptomoedas não mudou: é saber como alocar os ativos.

Dan Morehead, fundador e sócio-diretor da Pantera. Fonte: comunicado de imprensa da S&P Global.

Ele acrescenta que as duas empresas desenvolveram este índice para identificar ativos e infraestruturas que apresentam verdadeiro valor econômico, privilegiando redes capazes de mostrar atividade sustentável.

Por que o Bitcoin não faz parte deste índice

Uma das principais particularidades deste índice reside na exclusão do bitcoin. Cathy Clay, CEO da S&P Dow Jones Indices, explica que a exclusão do BTC resulta exclusivamente da metodologia adotada para construir este novo índice:

O bitcoin não atende aos critérios aplicados, pois não é um protocolo gerador de receita. O objetivo consiste principalmente em medir a atividade econômica produzida pelas redes blockchain, em vez de sua valorização no mercado.

Cathy Clay, CEO da S&P Dow Jones Indices. Fonte: comunicado de imprensa da S&P Global.

Esta abordagem baseia-se em uma lógica diferente da adotada pela maioria dos índices cripto tradicionais. Em vez de classificar os ativos segundo sua capitalização ou desempenho de mercado, S&P e Pantera privilegiam protocolos capazes de gerar receita e demonstrar uma atividade econômica mensurável.

Em uma entrevista concedida à CNBC, Cathy Clay explicou que esta metodologia se inspira diretamente nos padrões usados nos mercados financeiros tradicionais:

O que tentamos aplicar aos ativos digitais são os mesmos princípios que temos em nossos índices de ações.

Cathy Clay, CEO da S&P Dow Jones Indices. Fonte: CNBC.

Para a diretora, esta abordagem traz mais rigor à avaliação dos ativos digitais e ajuda os investidores a se concentrarem nos fundamentos econômicos em vez do ruído gerado pelas flutuações do mercado.

O Bitcoin continua sendo a principal referência dos investidores

O que é certo é que a exclusão do bitcoin não significa que seu papel no mercado de ativos digitais diminua. A rainha das criptomoedas mantém uma posição dominante na maioria dos índices institucionais, que procuram principalmente refletir a capitalização global do mercado em vez das receitas geradas pelos protocolos. Essa diferença de metodologia explica por que a escolha de S&P e Pantera se destaca das referências já usadas pelos investidores.

Para comparação, o Nasdaq CME Crypto Index é composto por cerca de 77% de bitcoin e quase 13% de ether. Por sua vez, o FTSE Digital Asset All Cap Index também dedica quase 75% de sua carteira ao bitcoin. Estes dois índices ilustram o peso considerável da primeira criptomoeda nas carteiras destinadas a representar o mercado de ativos digitais em sua totalidade.

Essa posição dominante se explica pelo papel do bitcoin desde seu lançamento. Continua sendo a principal cripto por capitalização, estimada em cerca de 57% do mercado total segundo os dados da CoinGecko, e permanece a principal porta de entrada dos investidores institucionais no mercado. Os muitos produtos financeiros desenvolvidos em torno deste ativo também atestam seu status de referência para grande parte da indústria.

O S&P Pantera Digital Asset Index persegue, porém, um objetivo diferente. Em vez de reproduzir a estrutura do mercado, privilegia protocolos capazes de demonstrar uma atividade econômica mensurável por meio das receitas que geram. Os investidores dispõem assim de duas abordagens complementares: uma reflete o peso dos ativos no mercado, enquanto a outra enfatiza os fundamentos econômicos das redes blockchain.

Esta iniciativa ilustra a crescente vontade de aplicar aos ativos digitais métodos inspirados nos grandes índices financeiros. Se esta abordagem atende às expectativas dos investidores institucionais, poderá servir de base para novos produtos construídos em torno de critérios econômicos mensuráveis. O bitcoin, que continua sendo a principal criptomoeda por capitalização e a referência dos grandes índices do mercado, porém, segue uma lógica diferente da adotada por S&P e Pantera. À medida que o setor continua a se estruturar, os investidores devem dispor assim de múltiplos referenciais complementares, adaptados a objetivos distintos de alocação e análise.

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Ghiles A.

Journaliste et rédacteur web passionné par l’univers des cryptomonnaies et des technologies Web3. J’y traite les dernières tendances et actualités afin de proposer un contenu de haute qualité à un large public du secteur.

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