Michael Saylor aposta na adoção em massa, não em uma votação do CLARITY Act
O CLARITY Act deveria oferecer aos ativos digitais um marco federal mais claro nos Estados Unidos. Mas em 15 de setembro, o Senado não conseguiu avançar com o texto: a moção de encerramento falhou por 49 votos contra 50. Portanto, não houve votação final sobre a lei, mas um sério freio. Na sequência, Saylor muda de estratégia. Em vez de esperar uma nova tentativa no Congresso, ele quer aproveitar os próximos dois anos para acelerar a adoção de produtos financeiros digitais.

Em resumo
- O Senado americano bloqueia o avanço do CLARITY Act após uma votação procedural concluída com placar de 49-50.
- Saylor muda de abordagem e quer acelerar a adoção de produtos financeiros digitais ao invés de esperar uma nova lei.
- Bitcoin, crédito, ações tokenizadas e stablecoins compõem os principais pilares da estratégia defendida por Saylor.
- A SEC e a CFTC continuam atuando apesar do bloqueio, especialmente em torno da tokenização e dos mercados digitais.
- Nos Estados Unidos, a ausência do CLARITY Act cria principalmente um marco fragmentado, em vez de um verdadeiro vazio regulatório.
O CLARITY Act trava no Senado e Saylor já mira outro caminho
O detalhe da votação é importante. O Senado não rejeitou definitivamente o CLARITY Act no mérito. É o procedimento para abrir caminho à sua análise que não obteve os 60 votos necessários. O texto permanece bloqueado, enquanto o setor aguardava desta lei regras mais precisas sobre ativos digitais e a divisão de competências entre reguladores.
Saylor não propõe ficar de braços cruzados. Em seu texto publicado em 19 de setembro, ele defende uma abordagem diferente: usar as possibilidades oferecidas pela SEC, CFTC, Tesouro e autoridades bancárias e depois colocar mais produtos nas mãos do público.
Seu argumento baseia-se na adoção. Quanto mais usuários, mais difícil se torna recuar. Ele mira assim 50 milhões de usuários satisfeitos.
Nossa via mais segura é criar produtos que seduzam os clientes e os lancem amplamente. Custos menores, acesso mais fácil, serviços úteis e melhor controle do dinheiro dão aos usuários um interesse direto em preservar a inovação.
Michael Saylor – X
Bitcoin, crédito e ações tokenizadas: a estratégia de Saylor passa pelos produtos
Por trás dessa ideia de adoção, há uma arquitetura bastante precisa. O bitcoin constitui o “capital digital”. STRC deve trazer uma dimensão de crédito. MSTR representa as ações. Coinbase atua do lado das plataformas e USDC do lado dos pagamentos. Saylor apresenta esses pilares como elementos de um mesmo sistema financeiro.
O objetivo, portanto, não é apenas fazer comprar mais cripto. Trata-se de oferecer serviços que se assemelham mais aos da finança tradicional: conservar um ativo, emprestar, investir, transferir dinheiro ou negociar títulos.
O movimento já é visível do lado dos reguladores. Em 17 de setembro, a SEC concedeu uma isenção temporária e condicional a certas plataformas para permitir a negociação de ações americanas tokenizadas. A medida deve expirar após cinco anos. Também impõe várias condições, especialmente sobre os direitos vinculados aos títulos e a proteção dos investidores.
Paul Atkins apresenta essa decisão como uma etapa experimental antes de eventuais regras mais duradouras:
A isenção para inovação, embora temporária, permitiria que as plataformas negociassem hoje ações NMS tokenizadas em um ambiente autorizado, enquanto a Comissão estuda a necessidade de novas medidas.
Paul Atkins – SEC
Depois da votação, o mercado crypto tem vários caminhos pela frente
O bloqueio do CLARITY Act não significa que a atividade regulatória pare. É até o contrário. A SEC avança nas ações tokenizadas, enquanto a CFTC continua seus próprios trabalhos. Para as empresas, o cenário fica mais fragmentado.
Essa situação também provoca reações diferentes. Arthur Hayes minimizou a importância do projeto de lei e colocou a sequência no contexto mais amplo da política monetária americana. Outros observadores consideram que uma lei federal teria oferecido uma base mais estável para as empresas do que isenções ou decisões tomadas pelas agências.
As duas abordagens não produzem exatamente o mesmo resultado. Uma medida administrativa pode permitir que uma atividade comece rapidamente. Uma lei votada pelo Congresso pode, por sua vez, estabelecer regras mais duradouras e alterar formalmente as competências das autoridades.
Para o setor cripto, o problema imediato é menos a ausência total de regras do que a incerteza sobre o próximo passo delas. As empresas devem avançar em um ambiente onde várias instituições podem agir separadamente.
A aposta de Saylor é justamente aproveitar esse período em vez de sofrê-lo.
Nos EUA, o “vácuo regulatório” parece mais um cenário ainda em construção
Falar de um vazio regulatório americano seria exagero. Os ativos digitais continuam sujeitos a regras existentes, e os reguladores continuam intervindo. A SEC acabou de demonstrar isso novamente com sua isenção dedicada às ações tokenizadas.
O que realmente falta é o grande marco comum que o CLARITY Act deveria ajudar a estabelecer. Sem ele, as empresas têm que lidar com iniciativas provenientes de várias agências, com medidas cuja duração e abrangência podem variar.
É aí também que está o limite da estratégia defendida por Saylor. Fazer um produto ser adotado por milhões pode criar demanda econômica e política em torno desse serviço. Mas a adoção não resolve as questões de competência entre a SEC e a CFTC. Também não substitui uma lei quando o Congresso é necessário para modificar a estrutura federal.
A próxima etapa pode, portanto, acontecer em dois frentes. As empresas continuam a desenvolver seus produtos enquanto as agências testam os limites de seus poderes. Paralelamente, uma nova tentativa legislativa continua possível.
Para lembrar:
- 49-50: resultado da votação procedimento no Senado em 15 de setembro;
- 5 anos: duração prevista da isenção temporária da SEC;
- 50 milhões: objetivo de usuários avançado por Saylor.
O debate regulatório evolui, mas o Bitcoin permanece o ponto fixo de Saylor. Jason Calacanis acredita que o ativo ainda não encontrou seu grande uso popular. Saylor responde de outra forma: cerca de 1,6 trilhão de dólares em capitalização e 845.050 BTC detidos pela Strategy no final de agosto. Para ele, o BTC não precisa se tornar o meio de pagamento universal imaginado no início. Pode ser defendido como uma forma de capital digital. O ceticismo permanece, mas sua posição não muda: “The orange tie stays.”
Maximize sua experiência na Cointribune com nosso programa "Read to Earn"! Para cada artigo que você lê, ganhe pontos e acesse recompensas exclusivas. Inscreva-se agora e comece a acumular vantagens.
La révolution blockchain et crypto est en marche ! Et le jour où les impacts se feront ressentir sur l’économie la plus vulnérable de ce Monde, contre toute espérance, je dirai que j’y étais pour quelque chose
As opiniões e declarações expressas neste artigo são de responsabilidade exclusiva do autor e não devem ser consideradas como recomendações de investimento. Faça sua própria pesquisa antes de tomar qualquer decisão de investimento.